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domingo, 4 de abril de 2010

A PÁSCOA



Texto base: Êxodo 12.21ss

I. CARACTERIZAÇÃO GERAL
A palavra portuguesa “Páscoa” é usada para designar a festa dos judeus que, no hebraico, é chamada PESSACH, que significa “saltar por cima”, “passar por sobre”.
Esse nome surgiu em face da tradição de que o anjo da morte, ou anjo destruidor, “passou por sobre” as casas assinaladas com o sangue do cordeiro pascal, quando ele matou os primogênitos dos egípcios (Ex. 12.21ss).

Portanto a Páscoa assumiu o sentido de livramento, e o próprio êxodo foi a concretização dessa libertação.
Em face do CORDEIRO PASCAL, sacrificado na ocasião, o evento veio a ser integralmente associado à idéia de expiação, embora não fosse essa a sua intenção original.

NA TERRA DE CANAÃ
A festa da Páscoa veio a ser unida à festa agrícola dos Paes Asmos. Continuou sendo celebrada durante 7 ou 8 dias, desde o décimo quarto dia do primeiro mês (Nisã) como memorial da libertação dos hebreus da servidão no Egito. Essa festa, de acordo com Ex. 12.15; 34.18; Lev. 23.6, Num. 28.17 e Deut. 16.3, era celebrada desde o pôr-do-sol do décimo quarto dia do mês de Abibe (na primavera), que posteriormente recebeu o novo nome de Nisã. O primeiro e o sétimo dia eram dias santos plenos, onde ninguém podia fazer qualquer trabalho.

AS TRADIÇÕES JUDAICAS POSTERIORES

Adicionaram um dia a essa festa, perfazendo assim dois dias santos plenos tanto no começo quanto no fim, e assim reduzindo a quatro os meios-dias santos intermediários. Nas duas primeiras noites, ocorre a cerimônia do SEDER, que se desenvolveu a partir da refeição pascal ensinada na Bíblia (Ex. 12.8 e Deut, 16.5-7).
É então que toda a família se reúne. É cantado e lido o HAGGADAH, um texto ritual especial, que contém uma versão muito ornamentada da história do Êxodo, de mescla com certos salmos, cânticos religiosos, orações e bênçãos. Em seguida é consumida a refeição tradicional, que serve de memorial. Um osso torrado é posto sobre a mesa, simbolizando o cordeiro da páscoa, sacrificado e ingerido por cada família (Ex. 12.3-11).

A DUPLA SIGNIFICAÇÃO

1. A redenção dos judeus da servidão, envolvendo muitos símbolos morais e religiosos como o pão sem fermento, chamado MATZOTH. Em memória dos sofrimentos de Israel são comidas ervas amargas (no hebraico, MAROR), que fazem parte do Seder. Todo o fermento é removido dos lares israelitas.
2. A Festa da Natureza - A páscoa incluía uma festa agrícola que envolvia as primícias (Lev. 23.10), oferecidas ao templo, em Jerusalém, em tempos posteriores.

ELEMENTOS HISTÓRICOS E SEU DESENVOLVIMENTO

a)      À noitinha de 14 de Nisã (Abide), eram mortos os cordeiros pascais.
b)      Eram então assados e comidos com pães asmos e ervas amargas (Ex. 12.8);
c)       Era uma observância em família. No caso de famílias pequenas, os vizinhos podiam reunir-se para participarem juntos da festa; e mais orientações e condições foram acrescentadas à questão, conforme o tempo foi passando. Esses acréscimos regulamentavam a festa dos pãos asmos, que durava sete dias (Ex. 14.3-10). A páscoa foi estabelecida a fim de instruir às gerações futuras (Ex. 12.24-27). Então mais características foram adicionadas.
d)      Quatro sucessivas taças de vinho, misturado com água, eram usadas.
e)      Os salmos 113-118 eram entoados em lugares apropriados.
f)       Fruta misturada com vinagre, na consistência de massa de pedreiro, era servida, para relembrar a massa que os israelitas tinham usado nas edificações, quando estavam escravizados.
g)      O primeiro e o último dias da festa eram sábados solenes. Todo o trabalho manual cessava (Ex. 12.16 e Num. 28.18-25);
h)      No segundo dia, um molho de cevada recém amadurecido era sacudido pelo sacerdote a fim de consagrar a inauguração da colheita (Lev. 23.10-14);
i)        Sacrifícios elaborados eram efetuados mediante as ofertas queimadas ou holocaustos de dois touros, um carneiro, sete cordeiros e um bode, como ofertas pelo pecado, a cada dia (Num 28.19-23; Lev. 23.8).

A ÚLTIMA CEIA: A PÁSCOA CRISTÃ

1.       A morte de Cristo ocorreu no período da Páscoa. Jesus é chamado de nosso Cordeiro Pascal .

I Cor. 5.7 “ Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós”

2.       A ordem de não ser partido nenhum osso do cordeiro pascal foi aplicada por João às circunstâncias da morte de Jesus Cristo .
Êx. 12.46  “Numa casa se comerá; não levarás daquela carne fora da casa, nem dela quebrareis osso.”

João 19.31ss  “Os judeus, pois, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação (pois era grande o dia de sábado), rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados.
Foram pois os soldados, e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro, e ao outro que com ele fora crucificado;

Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas.
Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.

E aquele que o viu testificou, e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que também vós o creiais.

Porque isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: Nenhum dos seus ossos será quebrado.”


3.       O cristão deve pôr de lado o fermento do pecado, da corrupção, da malícia e da desobediência, substituindo-o pelos pães asmos da sinceridade e da verdade;

I Cor. 5.7-8 “Alimpai-vos pois do fermento velho, para que sejais {uma} nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós.
Pelo que façamos festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os asmos da sinceridade e da verdade.”
4.       O ensino Paulino sobre a Ceia faz com que a mesma seja um memorial tanto da morte libertadora de Cristo quanto da expiação. Ambos os conceitos faziam parte da Páscoa no Antigo Testamento. Jesus reinterpretou a Páscoa em consonância com suas próprias experiências. A Páscoa foi encarada pela Igreja Cristã como uma daquelas muitas coisas que receberam cumprimento e adquiriram maior significação na pessoa de Cristo.

5.       A idéia de PACTO também se faz presente. Deus firmou um pacto com a emergente nação de Israel. E Jesus estabeleceu um pacto com sua emergente Igreja.

Lucas 22.20 “Semelhantemente {tomou} o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue, que é derramado por vós.”
Heb. 12.24  E a Jesus, o Mediador duma Nova Aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o {de} Abel.”

6.       O êxodo Cristão – A páscoa do Antigo Testamento marcava o começo de uma saída da escravidão; e, de fato, era o poder por detrás desta libertação. Assim também em Cristo encontramos um êxodo que nos liberta da velha vida  com sua escravização ao pecado.

O êxodo judaico libertou um povo inteira da servidão física. O êxodo cristão oferece a todos os homens a libertação do pecado, bem como a outorga do Reino da Luz, onde impera a perfeita liberdade. Em Cristo nos transformamos em:
        a) Filhos de Deus (Gál. 4.4-6)

“Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos. E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.”

        b) Tansformados segundo a imagem do Filho (Rom. 8.29)
“Porque os que dantes conheceu também os predestinou {para serem} conforme à imagem de seu Filho; a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.

        c) Participantes da natureza divina (II Pe 1.4)
“pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapados da corrupção, que, pela concupiscência, há no mundo”
        d) Olham para a cidade celeste como sua pátria, da mesma maneira que Israel buscava uma nova pátria.
Hb. 11.10 “Pela fé, Abraão, sendo chamado , obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia“
João 14.1 “Não se tube o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas;”

R. N. Champlin, Ph D. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia.

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